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José Neiva

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Um ex-garotão de praia carioca que se recusa a envelhecer espiritualmente. Apesar de já ser um 40ão, ainda conservo o mesmo humor e temperamento de quando tinha 20 e poucos anos.

۩ Neiva' Space ۩

********************                                                                                     by Menino do Rio™
4/29/2005

Apresentação - Neiva by Neiva:

 

   Bem, é difícil falarmos de nós mesmos sem cairmos na inerente parcialidade, mas mesmo assim vou tentar rascunhar algumas palavras despretensiosas.

    Sou carioca de Laranjeiras e, apesar de ser do bairro do time rival - o Fluminense - sou Flamengo "desde criancinha", hehehe. Fui um típico garotão de classe média alta da zona sul do Rio e, como tal, curti adoidado na Cidade Maravilhosa. Peguei onda no píer de Ipanema; comi muita batata frita com catchup no Bob's da Garcia D'ávila em Ipanema e sanduíche natural na Barraca do Pepê, na praia do Pepino. Passei parafina no cabelo; ouvi o Kiss no volume máximo (despertando a fúria dos vizinhos) e também tive minhas fases de "rebelde sem causa". Fumei escondido; dei muito "trambique" nos ônibus das linhas 583 e 584; briguei na saída do colégio ("me espera lá fora!", a célebre frase); ficava injuriado quando meus pais me mandavam cortar o cabelo ou quando não me deixavam fazer tatuagens; matei aula para ir para o Arpoador pegar onda com os colegas; "tremi na base" todas as vezes em que tive de mostrar o boletim do colégio para o meu pai; botei "pega" na descida do Joá (detonando o carro do meu pai e o meu carro uma centena de vezes); tive adesivos da K&K e de um arco-íris no vidro traseiro do meu carro (era moda na época); participei de passeatas contra a ditadura nos tempos da faculdade de Belas Artes na UFRJ...  

    Também vivi um amor platônico de infância pela vizinha da cobertura do meu prédio; namorei no Mirante de Botafogo e na Vista Chinesa; assisti "corrida de submarino" no Arpoador; andei de pedalinho na Lagoa com as namoradas; corri na pista veloz do Tivoli Park; vi os filmes "Tommy - a ópera rock", "Menino do Rio" e "Garota Dourada" não sei quantas vezes, assim como também li o livro "Feliz Ano Velho", do Marcelo Rubens Paiva, umas tantas outras. Não fui aos "Rock in Rio" e nem ao show do Kiss no Maracanã porque já estava morando na Bahia e não deu para ir (fico injuriado quando lembro disso!). Mas dancei no Papagaio, no Calígula, no Cassino Royale, na Mansão do Farah, no Campestre e no Noites Cariocas; dei "festas de arromba" no pátio do meu prédio; tomei muito chopp no Castelinho, no Barril 1800, no Caneco 70 e no Garota de Ipanema; comi a pizza da Fiorentina e a "Nhá Benta" da Kopenhagen; fui à quase todas as Feiras da Providência da época e tive os meus "15 minutos de fama" fazendo uma novela das 18:00hs da Rede Globo ("Paraíso", de 1982, com o Kadu Moliterno, Cristina Mullins, Cláudio Corrêa e Castro, Roberto Bonfim, Sérgio Reis, dentre outros) - mas não vivo do passado, é pra frente que eu olho...

    Só não mergulhei nas drogas graças à vida de atleta e à rígida educação e orientação que sempre recebi de meus pais, professores e treinadores. "À estes, expresso aqui todo o meu carinho e os meus eternos agradecimentos". Minha juventude sempre foi muito voltada para o esporte, tendo praticado Natação, Remo, Musculação e Judô e Jui-Jitsu (durante 11 anos); todos no Flamengo.

    Filho de pais intelectuais, aprendi desde cedo a ter uma visão dialética da vida. Também freqüentei com eles o Teatro Municipal, a Sala Cecília Meirelles, o Canecão e o MAM, dentre outros espaços culturais. Participei com meu pai de vários congressos da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) pelo Brasil à fora e de um congresso internacional na Ilha da Madeira, em Portugal. Na ocasião, fiz minha 1ª viagem ao exterior e tive a oportunidade de conhecer vários países da Europa (o que abriu a minha cabeça).

    Hoje moro em uma ilha na Bahia, mas meu sonho é morar no Rio Grande do Sul, com direito à uma bucólica cabana na Serra Gaúcha, uma lareira, uma prenda linda e com Beethoven (o maior dos românticos) tocando ao fundo para completar o cenário idílico. Mas enquanto meu sonho não se realiza, vou prosseguindo na construção da minha história por aqui mesmo, um dia após o outro e da melhor maneira possível. Sempre dentro das normas da dignidade, do respeito e da honestidade, pois este é o maior legado que poderei deixar para o meu filho.

    Mesmo tendo sobrevivido aos anos 70 no Rio de Janeiro, confesso que hoje em dia sinto um certo medo da vida. Talvez pelo fato de eu ter um filho (depois que a gente tem filho, a gente passa à ter um pouco de medo da vida, do futuro... da morte). Ou talvez porque eu não seja mais aquele garotão, cheio de disposição e coragem que um dia viveu no Rio e que se julgava imune à qualquer intempérie...

 

 
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